
1.1. Os diversos tipos de microfones.
Os microfones de estúdio de televisão e de cinema são por vezes supersensíveis. Captam a voz a certa distância, tanto assim que podem ficar acima da cabeça dos atores e não prejudicam a clareza da voz. – Mas, esses microfones supersensíveis são usados, em geral, em estúdios fechados onde não entra ruído nem passa o vento.
Os microfones das igrejas e dos salões são normais. E nem poderia ser de outra forma. Nestes locais há ruídos do povo, cadeira se arrastando, tosses, choro de crianças, vento e até simples roçar de roupas. Prevendo todos estes invasores acústicos, as igrejas e os salões têm microfones comuns, que não deixam entrar estes ruídos indesejados.
Para ambientes muito ruidosos foram construídos microfones ainda menos sensíveis. É o caso, por exemplo, dos aparelhos telefônicos que captam a voz do falante e não as conversas das pessoas que se encontram no recinto.
1.2. O descuidado no uso do microfone.
Por vezes, os leitores da equipe de liturgia, que fazem as leituras e dirigem o movimento da Missa, esquecem que os microfones das igrejas não são supersensíveis. Falam fora do microfone, às vezes do lado. Outras vezes deixam o microfone à distância ou na altura dos olhos. Abaixam a cabeça e prosseguem firmes na leitura, sem se incomodar se o som está chegando 100% aos ouvintes ou apenas 50%. Eles ouvem um barulho de voz pelo alto-falante e julgam-se plenamente ouvidos pelo povo.
O mesmo acontece com padres que estão presidindo. Não se aproximam nem puxam o microfone para junto de si. Falam a distância. Querem que o microfone capte e aja como se fosse microfone sensível. Alguns pensam que o microfone é milagroso, que supre qualquer deficiência.
Há presidentes de celebrações que colocam o microfone no peito, distante da boca, ou colocam-se ao lado do microfone. E vão falando. Ficam satisfeitos, pois julgam bem entendidos pelo público.
Como muitas vezes o público não reclama, mas simplesmente se desliga, eles nem desconfiam de que algo de errado está acontecendo.
1.3. Público desinteressado não se esforça em ouvir.
O público que não ouve bem torna-se público desinteressado. Numa quermesse, o som pode vir deficiente pelo alto-falante. O transeunte, que circula pela quermesse, não reclama porque não está na maioria das vezes desinteressadas em ouvir aquilo que está sendo anunciado.
O público moderno costuma desligar-se do mundo cheio de apelos diários, de manhã á noite. É uma espécie de defesa para sua privacidade. Ele não liga para as vozes dentro de um bar, para conversas dentro de um ônibus, para a locução de rádio que vem do apartamento vizinho. O homem moderno acostumou-se se fechar em si mesmo e a isolar-se, mesmo no meio de gritarias de vendedores numa bem movimentada da feira.
Pessoas treinadas para fugir até de locutores de rádio capacitados vão por acaso se esforçar para prestar atenção ao padre ou leitor que não se empenham em usar a técnica do microfone? – Trancam-se em seu mundo interior, onde estão acostumados a se refugiar e deixam o padre e o leitor falar e ler à vontade.
Em Missas de 7o dia, de bodas ou casamento, o desinteresse por vezes multiplica. Diversos participantes ale estão apenas por questão de amizade com o festejado ou com o morto. Portanto, por simples conveniência social. Nestes casos, quando o uso do microfone é deficiente, o público responde não só com o enclausuramente ou desligamento interiro, mas conversa em voz baixa sobre outros assuntos. Estas conversas multiplicam em vários grupos parecem um zum-zum de abelhas.
1.4. A comodidade moderna: um perigo a enfrentar.
O povo de hoje está caminhando sempre mais ao comodismo. Técnicos e fabricantes porfiam entre si para inventar aparelhos que proporcionam sempre mais comodidades. Cálculos, os mais complicados, são feitos comodamente, até em pequenas máquinas de bolso. Os televisores têm controle remoto para o espectador não precisar se levantar a toda hora. Computadores registram e memorizam com extrema facilidade os dados desejados e os manipulam com rapidez e comodismo. Centenas de outros aparelhos industriais e domésticos procuram se impor pela comodidade.
A humanidade vive dentro da comodidade. O instinto é diminuir sempre mais o esforço. Este é o público que os leitores das equipes de liturgia e os padres têm que enfrentar.
E aí, de repente, diante deste público acostumado ao comodismo, aparece um leitor displicente ou não bem treinado para falar. Por acaso, um leitor nestes moldes conseguirá fazer esse público moderno sair de sua habitual comodidade? Esse público tão bem nutrido e assessorado pela técnica atual vai se esforçar para suprir um defeito que o leitor apresenta?
1.5. Os ouvintes modernos habituados ao som perfeito.
A tecnologia do som aprimora-se a cada dia. As grandes indústrias de aparelhos de rádio, de televisão, de vídeo, de Cds, etc, fazem pesquisas e estudos constantes para conseguir o som mais perfeito possível, a fim de que o publico ouça com clareza e com grande comodidade a voz e música.
Até as famílias mais simples têm aparelhos de som perfeito. Assim, o povo está acostumado a ouvir corretamente, com clareza, sem nenhum esforço. Estar, por assim dizer, “viciado” ou muito habituado em ouvir bem tudo aquilo que é transmitido pelos meios de comunicação modernos.
Esse público acostumado ao som claro e perfeito, vai a igreja e ali encontra um som sofrível. Por ventura vai esforçar para ouvir? Não. Ainda mais se não estava com muita vontade de ir a igreja preferia estar em casa, na comodidade de sua poltrona ou entretido nas suas ocupações e divertimentos.
Ninguém deve basear sua religiosidade na qualidade do som e no bom uso que o presidente de uma celebração, ou leitor fazem do microfone. A fé é algo bem mais sublime e tem raízes bem mais profundas. Não obstante, todos concordam que o microfone nas igrejas necessita ser usado adequadamente e conta um ponto a mais para favorecer os participantes da celebração.
1.6. A mensagem merece o bom uso do microfone.
Tudo aquilo que fazemos merece ser bem feito. O coreto uso do microfone contribuirá para atrair o povo ao culto divino, ativar sua fé e conseqüentemente glorificar Deus.
O que os leitores e o presidente de uma celebração lêem numa liturgia é algo de grande valia. Seria pena se essas mensagens não penetrassem no coração do povo, só por falta do uso devido do microfone. Alguns leitores até justificam: “o culpado é o microfone...” Acontece que o mesmo microfone, usado na mesma igreja por outro leitor, consegue um resultado bem e até ótimo. Por quê? Porque a maneira de usa-lo é diferente.
1.7. Sugestões para o uso do microfone.
- Falar com os lábios em direção ao microfone (Em direção não quer dizer com os lábios grudados ao microfone).
- Não falar com o microfone perto da orelha, perto da testa ou junto ao coração.
- Quando o microfone é de pendurar ao pescoço ou de prender na roupa, puxa-se o mesmo um pouco mais para perto da boca. Não podemos apresentar a desculpa de que os locutores de televisão usam o microfone à certa distância. Como já foi dito microfones de televisão e de estúdio fechado são próprios para o local, onde não entram ruídos nem vento.
- Não falar próximo demais do microfone, colando-se a ele, para evitar o pupear, o som do sopro. Em geral, é bom falar a um punho fechado ou um pouco mais de distância.
- O próprio locutor ou leitor deve procurar ouvir o retorno de sua voz. Se ele ouvir o retorno com distinção e clareza, é sinal certo que os ouvintes também estão ouvindo com distinção e agradabilidade. Assim o locutor pode por si mesmo controlar a eficiência do microfone, o volume de sua voz e a necessária aproximação ou não do microfone na direção certa.
1.8. Como evitar a microfonia.
O problema da microfonia pode ser evitado colocando-se as caixas de som em posições estratégicas. Coloque o microfone de costas para as caixas. Não deixe o microfone captar o som emitido pela caixa de som.
Os sons graves são os que geralmente mais provocam microfonia. Reduzindo os sons graves no amplificador diminui-se a possibilidade de microfonia. Conseqüentemente em caso de distúrbio de som, não é certo diminuir o volume do aparelho, pois isto não vai resolver o problema da microfonia, se ela for provocada pelo excesso de sons graves.
1.9. Como testar o microfone.
Os microfones deveriam ser testados antes que a assembléia esteja reunida. No entanto, quando você estiver diante do microfone e não souber se está funcionando, bata de leve com o dedo e espere a resposta. O público presente não perceberá que você está testando nem se distrairá. Evite ficar falando Alô... alô ou Jesus... Jesus... isso é ridículo para quem estar ouvindo. Quero lembrar ainda que o nome de Jesus não tem a função de testar microfones.
2. O Cuidado com os microfones.
Seria de fundamental importância que em cada Igreja tivesse apenas uma só pessoa para lidar com o equipamento de som. Quando duas ou mais pessoas têm acesso a este equipamento quase sempre os problemas tendem a aumentar. O som deve ser regulado e testado sem que isso seja feito a cada celebração.
Os microfones merecem o máximo de cuidado. Dentro do microfone existe uma película muito sensível que pode ser danificada facilmente. Por isso, nunca bata no microfone para testá-lo, tenha muito cuidado em guarda-lo, não o deixe cair ou levar pancadas, não o carregue dependurado pelo fio, guarde-o sempre numa caixa envolto com espumas ou pano nunca o deixe em cima de mesas ou dentro de armários fora de sua caixa própria. Lembro ainda que os fios nunca devem ser dobrados, assim podem ser danificados eles devem ser enrolados de forma que não se forme dobra.
Organização e digitação
Pe. Ademário Silva Ledo Filho.
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