Nós cristãos acreditamos num Deus de amor e misericórdia. Por amor, este mesmo Deus, criou o mundo e tudo de bom e de belo que nele existe, sobretudo, o homem que foi criado à sua própria imagem e semelhança. Por ser um Deus próximo (Emanuel Deus Conosco) sempre agiu com misericórdia, isto é, sempre colocou o seu coração na miséria humana promovendo-lhe um perdão constante.
Assumindo uma forma humana na pessoa de Jesus de Nazaré, Deus se manifestou ao mundo e ao homem com grandes objetivos: O anúncio do Reino de amor e de paz e a salvação da humanidade. Para tanto, foi capaz de doar a vida do seu Filho único para que as mazelas da humanidade fossem perdoadas. Por isso, sempre digo em minhas pregações que o verbo perdoar nas ações de Deus, sempre é conjugado no gerúndio, isto é, perdoando.
Por sua vez o homem, criatura de Deus, entre todos os seres vivos (vegetais e animais) é o único dotado de razão, o que o faz diferente e também capaz de amar e perdoar. Assim sendo, ao longo dos tempos o mundo experimentou grandes personalidades que nos deixaram belos testemunhos de dedicação e amor ao próximo. Em contrapartida, por muitas vezes e por vários motivos o homem se tornou ou se torna indiferente ao seu semelhante, sobretudo, quando este não comunga com os seus ideais de vida. Por esses motivos, existem muitos corações dilacerados, insensíveis ao amor e ao perdão, o que vem gerando muitos males à sociedade como um todo.
No que tange à natureza esta é uma belíssima obra de Deus, e por ele foi gratuitamente entregue aos homens. É importante ressaltar também que o homem depende diretamente da natureza para sobreviver, mas ao longo dos tempos vem agindo como se fosse auto-suficiente, não se importando em preservar a natureza e por conseqüência a própria vida e a vida das gerações futuras.
Atualmente os bens naturais vêm gritando por socorro, mas ao mesmo tempo respondendo a degradação sofrida pela intervenção irresponsável do homem. Poderia aqui citar inúmeros desastres da natureza que trouxeram terríveis conseqüências à humanidade e com certeza irão continuar acontecendo. Isto é, sem dúvidas, uma resposta sem perdão às ações impensadas e irracionais por parte daqueles que se acham no direito de agir com liberdade irresponsável.
Olhando a nossa realidade, ainda estamos desfrutando de um grande paraíso, mas basta voltarmos a um passado não muito longínquo e já sentimos falta e saudades de muitas coisas que não existem mais. Quantos pássaros já deixaram de existir? Quantos animais existem apenas na memória dos mais velhos? Quantas paisagens e matas nativas deram lugar às queimadas e ao deserto? Andando pelas comunidades da paróquia sempre ouço algumas pessoas dizendo: “Padre aqui passava um córrego... um rio... hoje água só na época da chuva”. Ou ainda: “Olha padre aqui existiam várias nascentes de água... hoje a água que utilizamos vem encanada de outra região”. Desta forma, basta apenas sermos um pouco sensíveis para percebermos que os recursos naturais estão se tornando “conto” dos mais vividos.
No geral, a nossa região ainda desfruta de belos recursos naturais e, de certo modo, uma boa quantidade de água que, por enquanto, ainda é suficiente para saciar a nossa “sede”, mas no período da estiagem já podemos experimentar o que seria viver sem este líquido tão precioso, o que poderemos denominar de sangue da terra. Então cabe aqui um questionamento de caráter singular: Se a natureza, na sua conjuntura existencial, não nos perdoa o que poderemos fazer para não agredi-la? O que as autoridades competentes e cada um de nós em particular estamos fazendo ou pretendemos fazer para reverter essa situação? O que será do futuro de nossas crianças e de maneira agravante das futuras gerações? Estes e outros questionamentos devem constantemente soar aos nossos ouvidos e chegar às nossas consciências, pois do contrário pagaremos um preço muito caro por não podermos contar com o perdão da nossa querida mãe natureza.

Pe. Ademário da Silva Ledo Filho.
- Pároco -

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