O BLOG DA CATEDRAL APRESENTA
A HISTÓRIA DOS CONCÍLIOS AO LONGO DOS TEMPOS.

CALCEDÔNIA – 451

Até aqui os concílios se haviam pronunciado sobre questões concernentes à Divindade de Jesus Cristo e definido que ele é verdadeiro Deus. Agora devem cuidar de sua humanidade e definir que ele é verdadeiro homem.Eutíquio, monge teimoso, prior de um cenóbio em Constantinopla, impugnou a Fé ortodoxa sobre esse assunto. Sustentava que em Jesus, sendo única a Pessoa, assim única é a natureza; uma natureza misteriosa, resultante da união dos dois princípios, divino e humano. Em Jesus, corpo, alma e espírito pertencem à divindade. Nada devia Jesus à mãe; nada recebera dela.A defender a doutrina tradicional eclesiástica e apostólica ergueram-se Flaviano, patriarca de Constantinopla e Teodoro de Ciro, mas, o setuagenário Eutíqueo gozava do apoio da corte de Constantinopla e de vários teólogos orientais. O Pontífice romano, São Leão Magno, interveio com a famosa Carta a Flaviano, na tentativa de evitar nova heresia, expondo a Fé católica da Pessoa única e das duas naturezas em Jesus Cristo. Inultilmente. Assim, por um momento, pareceu que Eutíquio triunfasse na aspérrima diatribe teológica, recorrendo inclusive à violência. Nesse ambiente abrasado, foi convocado, para Calcedônia, antiga cidade da bitínia, sobre o Bósforo, em 451, o Concílio que se devia pronunciar sobre a natureza humana e divina de Cristo. Foram presentes cerca de 600 bispos, cindidos entre si em duas correntes opostas. Os magistrados imperiais assistiam como asseguradores da ordem. O Papa Leão enviara os seus legados. As disputas prolongaram-se, vivazes e tumultuosas, de 8 a 25 de outubro, finalmente, redigida a definição da fé, que dizia: Uma é a Pessoa em Jesus Cristo, a Pessoa divina, mas, duas são as naturezas, a humana e a divina, duas naturezas não separadas nem divididas, não confundidas, nem mutáveis. O único e idêntico Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, perfeito Deus e perfeito homem. Um só é o Eu de Cristo. O imperador Marciano e a imperatriz Pulquéria participaram, em pompa principesca, da proclamação solene da fórmula de Fé que assentava a perene doutrina da Igreja Apostólica e Católica.

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